Dicas do CEO: como melhorar seu modelo de gestão

Dicas do CEO: como melhorar seu modelo de gestão

Convidamos nosso CEO para um bate-papo sobre modelos de gestão. Aqui está o que conversamos.

O que é, para você, se manter um passo à frente na gestão da sua equipe?

Dicas do CEO: como melhorar seu modelo de gestão

Eduardo Langowski – CEO na Leads2b

Me manter um passo à frente na gestão, para mim, é estar em constante busca de novos modelos de gestão que complementem os que eu já aplico. Então, de forma bem básica, é ir atrás de modelos de negócio de empresas com produtos bem similares ao que a Leads2b oferece. Um facilitador desse processo é se for uma empresa mundialmente conhecida, dessa forma você acha mais facilmente qual foi o modelo de gestão que o empreendedor utilizou para aquele negócio. 

Outra forma é buscando programas de mentoria, existem vários hoje em dia. Nós, por exemplo, já participamos do programa de aceleração da Endeavor. Nesses programas, os mentores que te dão suporte fornecem o “caminho das pedras” para várias dificuldades que aparecem no caminho, ou, até mesmo, dificuldades que você pode ter no futuro. Os programas de aceleração contribuem para que sua gestão esteja sempre na sua melhor performance possível, porque eles trazem essa visão de “como fazer” de outras organizações que estão tendo sucesso – esse benchmarking é muito enriquecedor.

Quais as melhores formas de fazer isso, na sua opinião?

Não existe receita de bolo, cada empresa tem suas particularidades e cada modelo de gestão reage de uma forma diferente de acordo com a organização. Isso se dá,  principalmente, pela cultura da empresa, que é um outro tópico muito importante. Na Endeavor, por exemplo, chama-se o RH de “gente e gestão” e isso faz total sentido, porque no processo de gestão o seu principal ativo são as pessoas. Com isso, o RH deixa de ser como era antigamente, uma área de processos para uma uma área de pessoas.

O caminho está em descobrir o problema que você precisa solucionar e encontrar a pessoa ideal para resolvê-lo. É muito importante, nesse processo, analisar o que aquela pessoa já entregou na carreira. Tem muita gente que fala, mas não entrega. Isso vai fazer você perder tempo, dinheiro e oportunidades. Já ouvi muitas vezes que existem pessoas que têm a teoria muito forte, mas não têm prática. E há pessoas que podem até ter prática, mas não tem a profundidade necessária. Isso é complicado. Quando você tem um problema complexo, precisa de um pouco mais do que uma entrevista de emprego para avaliar se aquela pessoa serve ou não para a sua necessidade.

Você acha que a gestão com visão de longo alcance é para qualquer time? E quais os benefícios dela?

Eu não acho que esse modelo de gestão seja para qualquer time. Isso traz uma discussão bem interessante sobre a utilização de KPIs (indicadores chave de performance) e OKRs (objetivos e resultados chave esperados). Quando você tem uma equipe que utiliza estratégias de médio e longo prazo, os OKRs funcionam de forma muito mais efetiva. Existe uma forma diferente de gerir o desenvolvimento de ideias para atividades com estratégias mais longas. Tudo que for a curto prazo e que você precisa realizar de uma forma repetitiva, você utiliza os KPIs. Então uma boa gestão, na minha concepção, é trabalhar o misto dos dois. Dessa forma, o time que trabalha de forma recorrente e mais “rápida”, vai usar KPIs e o time que trabalha mais com criatividade, desenvolvimento e visão de médio e longo prazo, vai usar OKRs. 

Um dos maiores benefícios desse modelo misto, ao meu ver, é você conseguir adaptar as culturas de times diferentes a uma mesma estrutura. Se eu começo a cobrar um time de produto em cima de produtividade, eu vou estressar essa galera e eu vou tirar a energia deles do que realmente importa que é a criatividade, por exemplo. E o oposto também vale, então se eu cobro meu time comercial em OKRs e não em micro execuções de follow ups, por exemplo, eu tiro uma parte que é essencial para aquela área. É importante adequar a gestão específica daquele tipo de time às necessidades dele. É, basicamente, você conseguir agradar gregos e troianos em um mesmo modelo de gestão.

Qual o maior desafio, pra você, para tem a mentalidade de conseguir pensar à frente do momento atual?

Eu não acredito que “pensar lá na frente” seja algo difícil. Eu sempre fui uma pessoa que pensou em profundidade, então eu sempre estudei os eventos pensando em todos os desencadeamentos que poderiam ser gerados – em cenários positivos ou negativos. Para mim – e acredito que seja para a maioria das pessoas – o ponto mais difícil é conseguir fazer com que o time execute todas as variáveis necessárias com sucesso para que você chegue no seu objetivo final. Então se estou pensando em uma ação de 6 meses, vou aprofundando o pensamento e refletindo sobre todas essas “camadas” e variáveis possíveis. Quando eu chego no nível mais profundo, que geralmente entrega pra mim a resposta satisfatória daquele problema que eu estou tentando resolver, eu faço o caminho inverso e vejo quais caminhos eu segui para chegar naquele ponto específico.

Quando se fala da gestão de uma empresa, é preciso um alinhamento muito forte para que as pessoas entendam a importância e queiram seguir por aquele caminho que você vislumbrou ser o melhor. Então você não pode ser raso ao transmitir o seu objetivo. Você precisa aplicar muita empatia para fazer as pessoas entenderem o porquê das coisas e para onde a gente está indo. Geralmente isso não é feito para todos, mas sim para uma liderança que será encarregada de repassar a mensagem aos demais. E é por isso que as coisas tem que estar bem claras, para que não comece a acontecer um processo de telefone sem fio e as informações comecem a se perder. 

Para ajudar nesse processo, existem metodologias de gestão de pessoas e de objetivos, em que você pode fazer reuniões de 1×1 – que é uma reunião de 1 para 1 – para que a liderança mantenha essa mensagem sempre fresca na cabeça dos colaboradores e com certeza do caminho que estão trilhando. Essas metodologias permitem que as pessoas cheguem onde você vislumbrou. A dificuldade de pensar no longo prazo é pequena comparada à execução.

Então, para mim, vislumbrar onde se quer chegar é só um pequeno passo, o processo é o “fazer com que todos cheguem juntos lá”.

Artigos Recentes

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *